Cirurgia da obesidade

Antes de ler este texto, é importante que veja primeiro esse daqui: Uma epidemia de… obesidade

Bariátrica é o nome dado à cirurgia que auxilia no tratamento da obesidade. Atualmente, no Brasil, temos 42 milhões de obesos e 115 milhões de pessoas com sobrepeso. Há uma verdadeira epidemia de obesidade, não só no nosso país, como no mundo todo! Essa situação epidemiológica global tornou a cirurgia bariátrica “famosa” e comum, por isso falaremos brevemente sobre ela a seguir.

 

Por que devo me preocupar se estou com sobrepeso ou obeso já que a questão estética não me incomoda?

Porque o excesso de gordura mata! A obesidade é uma doença que causa inflamação crônica no organismo e aumenta as chances de doenças do coração (inclusive infarto), das articulações, do fígado, dos rins, “derrame cerebral”, diabetes, pressão alta. O indivíduo obeso, literalmente, VIVE ANOS A MENOS do que o magro.

 

 

Qualquer “gordinho” pode se submeter à cirurgia bariátrica?

Não. Existem indicações claras para essa cirurgia. Veja abaixo:

– Pessoas com IMC ≥ 40;

– Pessoas com IMC ≥ 35 que apresentem doenças relacionadas à obesidade (diabetes, pressão alta, doenças do coração, dentre outras);

(OBS: aprenda a calcular seu IMC no texto de obesidade)

 

Além disso, só poderão passar pela cirurgia indivíduos (todos os itens obrigatórios):

• Maiores de 18 anos;

• Que apresentam obesidade há pelo menos 5 anos;

• Que se submeteram a tratamento clínico (medicamentos, mudanças de hábitos de vida) por um período mínimo de 2 anos, mas mesmo assim não obtiveram sucesso no emagrecimento.

 

Importante lembrar que existem também contraindicações à cirurgia bariátrica, como doenças pulmonares, hepáticas (fígado) ou psiquiátricas graves, dentre outras. Ideal é a consulta com um cirurgião ou com um endocrinologista para saber se há impedimentos a esse tratamento cirúrgico.

 

Quais são os tipos de cirurgia bariátrica?

Existem diferentes técnicas de cirurgia bariátrica (restritivas, disabsortivas e mistas) e elas podem ser realizadas tanto por via aberta quanto por vídeo.

Nas técnicas restritivas, parte do estômago é retirada. O indivíduo perde peso porque seu estômago fica menor e, consequentemente, a sensação de saciedade (“barriga cheia”) surge logo após a ingestão de pequenas quantidades de alimento. A pessoa não consegue comer em excesso, podendo ter náuseas e vômitos caso tente. Esse tipo de cirurgia não altera o trânsito do intestino.

Observe na imagem abaixo que é feito um corte vertical no estômago, ficando apenas a parte menor (a da esquerda) no organismo e o restante é removido (parte da direita):

 

As técnicas puramente disabsortivas estão em desuso hoje em dia devido à grande quantidade de efeitos colaterais que geram no momento pós-cirúrgico. São técnicas que alteram bastante o trânsito intestinal, a ponto de o indivíduo apresentar desnutrição e diarreia no longo prazo.

 

Já as técnicas mistas envolvem os dois mecanismos, o restritivo e o disabsortivo, e são as mais utilizadas hoje em dia. O cirurgião não só reduz o tamanho do estômago, como altera o trânsito intestinal (mas não de maneira tão radical como nas técnicas puramente disabsortivas), permitindo que o paciente perca peso porque seu estômago encontra-se menor e porque seu intestino absorverá menos a gordura ingerida.

Veja na imagem abaixo que a porção do estômago por onde a comida passa (setas vermelhas) fica bastante reduzida. O restante do órgão permanece no corpo, mas não recebe alimentos, apenas produz suco gástrico (setas verdes) para que ocorra a devida digestão alimentar. Perceba também que o intestino foi cortado e realocado em forma de “Y”:

 

Fiz a cirurgia, não preciso mais me preocupar com nada, certo?

Errado!!! Após a cirurgia, o seguimento do paciente é primordial por vários motivos. O indivíduo precisará manter uma dieta balanceada e nutritiva, pois passará a comer pouco, logo, esse “pouco” precisa ter qualidade. Precisará repor vitaminas e minerais, pois o intestino, que é o órgão que absorve os nutrientes em nosso corpo, foi alterado e não está funcionando com 100% de sua capacidade de absorção.

Poderá apresentar alguns sintomas gastrointestinais desagradáveis, como sensação de “empachamento”, náuseas, vômitos e diarreia, especialmente se ingerir bastante açúcar/carboidrato de uma só vez.

Precisará manter uma rotina de exercícios físicos, pois estes auxiliam na manutenção do peso, ou seja, dificultam o reganho de peso.

Precisará de acompanhamento com psicólogo/psiquiatra para evitar que substitua a compulsão – que antes tinha por comida – por álcool, por exemplo, e se torne um alcoólatra. Isso, infelizmente, não é muito incomum.

Além disso, embora evidente, é importante lembrar que a bariátrica é uma cirurgia, ou seja, o paciente está sujeito a complicações como em qualquer outro procedimento cirúrgico. Pode haver sangramentos, obstruções intestinais, infecções, rompimento dos pontos, etc. Por ser o obeso, normalmente, um paciente cheio de doenças associadas (diabetes, pressão alta, má circulação) pode inclusive haver óbito durante a cirurgia.

 

A cirurgia bariátrica é uma “pílula mágica” para o meu emagrecimento?

A cirurgia bariátrica é sim um dos arsenais terapêuticos para o tratamento da obesidade e é inclusive bastante eficiente, mas é necessário entender que ela não é uma “pílula mágica” para emagrecer. O paciente deve estar bastante comprometido com sua própria saúde e bem estar antes, durante e após o procedimento; deve entender que o acompanhamento é de longo prazo, não basta fazer a cirurgia e nunca mais retornar ao médico. Caso isso ocorra, existe risco de: desnutrição, deficiência de vitaminas e minerais, efeitos colaterais gastrointestinais, risco aumentado de alcoolismo, abuso de drogas e depressão, reganho de peso (sim, acontece!).

 As equipes de cirurgia bariátrica são compostas por cirurgiões, nutricionistas, psicólogos ou psiquiatras, endocrinologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, porém, esses profissionais todos não serão suficientes se o paciente não estiver tão comprometido com o próprio tratamento quanto a equipe.

 

Autoria: Tayná

Fontes:

Ministério da Saúde

Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica

Imagens: Internet

Setembro/2020