COVID-19 e a saúde mental de adultos e crianças

Estamos vivendo um momento inusitado de nossas vidas. As circunstâncias atuais são propícias a nos gerar sentimentos de medo, insegurança, angústia, raiva, frustração, impotência, tédio, solidão, tristeza…

Aristóteles dizia que o ser humano precisa dos outros para se sentir pleno e feliz. Trazendo esse conceito de um filósofo tão antigo para os dias atuais de pandemia, parece fazer bastante sentido, não? É difícil para nós vivermos sem a sociedade, a comunidade, o bairro, o condomínio, os amigos, a família, o trabalho, a escola, as relações sociais como um todo. Acontece que, em tempos de isolamento social, estamos tendo que lidar justamente com essa dificuldade.

 

Estou com medo de…

O medo é uma reação natural e esperada em uma situação como a atual: medo do desconhecido, medo de adoecer, medo do contato com pessoas, medo de morrer, medo de perder um ente querido, medo de ficar sem emprego, medo de passar por dificuldades financeiras… E, como lidamos diferentemente com situações que se apresentam a nós, não é difícil perceber que alguns indivíduos têm mais dificuldade para lidar com o medo e a ansiedade do que outros. Se você é ou conhece alguém que está tendo dificuldades para lidar com a conjuntura atual, é importante que leia e siga algumas dicas simples e corriqueiras, explicadas no decorrer deste texto, que facilitam o enfrentamento dessa situação.

Importante ressaltar que mesmo pessoas que não apresentam doença psiquiátrica prévia sofrem em períodos de pandemia. Os níveis de estresse e ansiedade estão elevados para todos, portanto, se você percebe que não está conseguindo lidar com esses sentimentos, procure ajuda profissional, você não precisa enfrentar tudo isso sozinho! Se você tem medo de se deslocar até um consultório de psiquiatria ou psicologia, ligue para o profissional de saúde, faça uma chamada de vídeo, ligue para a Secretaria de Saúde do município e veja se no local onde você mora existe algum programa de atendimento de saúde mental. Como já dito, é uma situação inusitada, é absolutamente normal você não saber lidar com ela ou ter grandes dificuldades para isso. Existem profissionais que podem te ajudar, mesmo à distância.

 

Simples e efetivo

Por mais simples que pareça, manter uma rotina diária é um grande aliado para dirimir a ansiedade. Manter-se na “agenda”, fazer as refeições nos mesmos horários (e à mesa), dormir e acordar nos mesmos horários, separar um período do dia para o lazer e outro para o exercício físico, manter a rotina de trabalho diária – mesmo que remoto -, todos esses são de grande valia.

 

A distância de amigos e familiares

Se você se encontra em isolamento longe das pessoas que ama, “use e abuse” da Internet, das chamadas de vídeo e das redes sociais para entrar em contato com elas. A situação atual de distanciamento não é definitiva, adapte-se a ela e lide com ela da melhor forma possível, para, no futuro, poder se reunir com seus amigos e familiares, abraçá-los e expressar todo o contato social de que sente falta no momento presente.

 

Relaxar é importante

Procure realizar atividades que promovam relaxamento e tragam calma e alívio do estresse como exercícios de respiração e meditação, yoga, alongamentos, orações, atividades de lazer e exercícios físicos.

                                                             

 

Cuidado com as “muletas”

Evite apegar-se a “muletas” como cigarro, álcool e drogas para se sentir melhor. Embora, a curto prazo, possa parecer que essas substâncias o auxiliam no enfrentamento de situações difíceis, a médio e longo prazo, trazem muito mais prejuízos do que benefícios. A pandemia pode acabar e você pode ter desenvolvido uma dependência que perdurará por anos e anos a fio, causando-lhe prejuízos atrás de prejuízos, não só mentais, como físicos.

 

Você está com dificuldades para enfrentar essa situação?

Em primeiro lugar, não tenha vergonha disso! Você absolutamente não é o único!

Converse sobre suas preocupações e angústias com as pessoas em quem confia ou mesmo busque ajuda de um profissional, só não “guarde para si” e fique 24 horas por dia pensando e mantendo seu foco em situações negativas. Isso, literalmente, te fará mal. O medo e a ansiedade crônicos, ou seja, a longo prazo, podem não só causar sintomas físicos, como podem reduzir a eficiência do sistema imune e isso certamente é algo que não queremos quando estamos justamente enfrentando uma doença infectocontagiosa como a COVID-19.

 

Não descontinue seu tratamento

Se você já fazia tratamento para doenças como diabetes, pressão alta, doenças neurológicas, doenças psiquiátricas e quaisquer outras que exijam medicação constante, não descontinue seu tratamento! Se você tem medo de ir ao posto de saúde buscar a medicação ou renovar a receita ou se está com receio de ir ao hospital, ligue para o posto de saúde ou para o hospital ou para o médico ou para a Secretaria de Saúde do município, eles te auxiliarão na solução do problema, mas não fique sem o medicamento.

Deixar de tratar sua doença de base pode fazer que ela piore, e muito! Diabéticos, hipertensos, cardiopatas (pessoas com problemas no coração), dentre outros, sem tratamento adequado, podem apresentar infarto do coração, “derrame cerebral” e até mesmo evoluir para óbito!

 

Converse com os “pequenos”

As crianças também podem ficar estressadas com a mudança de rotina, podem não entender completamente o motivo do isolamento, podem ficar frustradas por não poder passear ou brincar com os amigos, podem ter dificuldades de acompanhar aulas e atividades online da escola. Essa é uma situação nova para elas também. Converse com seus filhos e pergunte sobre os sentimentos deles a respeito de tudo que está acontecendo. Reserve tempo na sua agenda para gastar com eles, assistindo filme, brincando, colorindo, ouvindo música… Mantenha, não só a sua, mas a rotina deles também: horários para lazer, tarefas, sono, alimentação.

Tente manter a calma ao conversar com a criança, lembre-se de que ela se espelha em você para realizar tarefas e reagir a situações; o seu estado mental e emocional a influenciará certamente.

Deixe a criança expressar seus possíveis medos e tristezas, não a reprima. Mostre que é normal se sentir assim e que você está presente para apoiá-la no que for necessário.

Cuidado com o que você assiste na televisão ou na Internet em frente à criança, ela pode, por exemplo, interpretar notícias de uma maneira que lhe provoque muito medo e tristeza. Explique a ela, em linguagem adequada à idade, que essa situação é séria, porém temporária e que você e o restante da família estão ali para auxiliá-la e protegê-la.

Por fim, ensine a criança os hábitos de higiene para evitar a contaminação pelo SARS-Cov-2, como lavar as mãos corretamente, espirrar ou tossir em um lenço ou cobrir com o cotovelo, higienizar o celular e o tablet, etc.   [Mais dicas de prevenção no texto: COVID-19]

 

“Bombardeio” de notícias ruins

Evite ver em excesso notícias que gerem angústia e medo. Não fique a cada 5 minutos atualizando as páginas de estatística para saber quantas pessoas já se infectaram ou já morreram em sua região. Você está fazendo sua parte, não está? Você está mantendo o distanciamento social, certo? Então veja as notícias 2 ou 3 vezes por semana apenas, especialmente se você sabe que é uma pessoa bastante ansiosa ou deprimida. Além disso, fuja das notícias potencialmente falsas ou sensacionalistas, procure sempre se informar por fontes oficiais, como a do Ministério da Saúde.

Manter-se completamente alienado ao que ocorre ao seu redor obviamente não é solução para nada, porém “bombardear-se” de notícias ruins e angustiantes tampouco resolverá o seu ou os problemas da humanidade. Tente manter um equilíbrio entre esses dois extremos.

 

Seja otimista!

Diversas pesquisas já evidenciaram que pessoas que enfrentam seus problemas com otimismo se recuperam melhor e mais rapidamente do que as que os enfrentam de maneira pessimista. E isso vale tanto para doenças da “mente”, quanto para doenças do “corpo”.

Não seja negacionista, mas seja otimista! Isto é, entenda que o momento atual exige seriedade e responsabilidade, mas não enxergue apenas o lado ruim. Concentre-se no lado positivo disso tudo, há sempre uma lição a ser aprendida nos momentos de crise. Talvez antes você não passasse muito tempo com seus filhos e cônjuge e agora pode, talvez antes você não seguisse muito as regras de higienização de mãos e de objetos e agora segue, talvez antes você não ajudasse tanto com as tarefas das crianças e agora ajuda, talvez antes você pouco cuidasse de seu animal de estimação e agora cuida, talvez antes você nunca tivesse feito reflexões sobre o que realmente importa em sua vida e agora pode, talvez antes você nunca tivesse se preocupado em gastar seu dinheiro com responsabilidade e agora o faz… encontre o lado bom na adversidade, isso te ajudará a enfrentar a situação com mais determinação, calma e esperança, que são essenciais na luta contra as dificuldades.

 

Autoria: Tayná

Fontes:

World Health Organization

Center for Disease Control

Conselho Regional de Medicina do Paraná

Imagens: Internet

Julho/2020