Diabetes mellitus na gestação e diabetes gestacional são a mesma coisa?

O diabetes mellitus é uma doença crônica relacionada ou à falta de produção de insulina (diabetes tipo 1) ou à dificuldade de ação da insulina nos diversos tecidos corporais (diabetes tipo 2).

O diabetes gestacional é um tipo de diabetes mellitus que, como o nome diz, ocorre durante a gravidez, ou seja, a mulher não era diabética antes de engravidar, mas torna-se durante a gestação.

Pode-se perceber, então, que existem duas situações distintas: 1) uma mulher sabidamente diabética (tipo 1 ou 2) que engravida; 2) uma mulher previamente saudável que desenvolve diabetes gestacional na gravidez.

Tanto o diabetes tipo 1 ou tipo 2 quanto o gestacional, quando mal controlados, podem causar inúmeras consequências negativas ao feto e à mãe, como veremos a seguir.

 

Quais mulheres têm maior chance de desenvolver diabetes gestacional?

O diabetes gestacional ocorre em 3 a 25% das gestações. Nos últimos anos houve aumento no número de casos devido, principalmente, ao aumento da obesidade, do sedentarismo e de mulheres que optam por ter filhos em idade mais avançada.

Os principais fatores de risco para o diabetes gestacional são:

– Engravidar após os 25 anos de idade (especialmente após os 30);

– Apresentar sobrepeso ou obesidade;

– Engordar em excesso na gestação atual;

– Ter apresentado quadro de diabetes gestacional em gravidez anterior;

– Possuir parentes de 1º grau com diabetes;

– Apresentar: crescimento excessivo do bebê, polidrâmnio (excesso de líquido na “bolsa”), hipertensão arterial ou pré-eclâmpsia na gravidez atual;

– Apresentar antecedentes de abortos, malformações, morte do bebê ou bebê muito grande (maior do que 4 quilos);

– Ter síndrome dos ovários policísticos;

– Ter baixa estatura (menor do que 1,5 metro).

 

Por que o diabetes gestacional ocorre?

Como você deve imaginar, durante a gravidez ocorrem inúmeras alterações hormonais para que o bebê possa crescer e se desenvolver adequadamente. A própria placenta produz hormônios para que esse processo seja facilitado. Muitos desses hormônios causam aumento do açúcar no sangue e o pâncreas de uma mulher saudável consegue – de forma compensatória – produzir mais insulina e manter a glicemia em patamares normais. Algumas mulheres, porém, não conseguem fazer essa compensação e acabam desenvolvendo o diabetes gestacional.

 

Rastreamento do diabetes na gestação

Todas as grávidas devem fazer exame de sangue para verificar a glicemia. O exame permite descobrir se a mulher apresenta diabetes gestacional ou se já era diabética antes de engravidar. Feito o diagnóstico, é necessário iniciar imediatamente o tratamento.

 

Por que é importante diagnosticar o diabetes na gestação?

O diabetes (tanto o gestacional quanto os tipos 1 e 2) mal controlado pode trazer graves consequências à mãe e, principalmente, ao bebê. 

Os filhos de mães com diabetes gestacional podem apresentar: peso excessivo ao nascer (macrossomia), hipoglicemia, problemas respiratórios, parto prematuro. O parto normal pode ser bastante dificultoso pelo tamanho da criança e pelo polidrâmnio (excesso de líquido amniótico), o que muitas vezes obriga a realização de cesárea. Além disso, esses bebês têm mais chance de se tornarem diabéticos na vida adulta!!

 

Os filhos de mães com diabetes mellitus prévio à gestação podem apresentar diversas malformações (cardíacas, do sistema nervoso, do sistema gastrointestinal, do sistema musculoesquelético, do sistema genitourinário).

Obs: malformações são exatamente o que o nome diz, quando o bebê não é adequadamente “formado”, apresentando problemas em um ou mais órgãos/sistemas do corpo. Por exemplo, os bebês de mães diabéticas têm 10 vezes mais chance de apresentar malformações no coração do que os de mães saudáveis. Exemplos de malformações cardíacas: alterações nos vasos do coração, defeitos nas válvulas, defeitos nas paredes do órgão, surgimento de “buraco” entre as câmaras do coração, dentre outros.

Se você sabe que é diabética e deseja engravidar, consulte seu obstetra e seu endocrinologista para ter certeza de que seus níveis de glicemia encontram-se adequados. A hiperglicemia no começo da gestação (primeiras semanas) aumenta muito as chances de malformação no bebê. Para evitar essas e outras complicações, o controle glicêmico é essencial.

Tanto no caso de diabetes gestacional quanto no caso de diabetes 1 e 2 pode haver morte do bebê (durante a gestação ou logo após o nascimento).

 

Tratamento do diabetes gestacional

 

O primeiro passo do tratamento é seguir dieta específica e realizar atividade física. Nos casos em que esses não são suficientes para controlar a glicemia, inicia-se tratamento com insulina. Tudo com devido acompanhamento do obstetra e, muitas vezes, do endocrinologista.

 

E após a gestação?

A mulher que teve diabetes gestacional apresenta maior chance de desenvolver diabetes tipo 2 após a gestação!

Por isso, é de extrema importância que ela realize novo exame de sangue, 6 semanas após o parto, e depois anualmente, para acompanhamento de sua glicemia.

 

Autoria: Tayná

Fontes:

Ministério da Saúde

Organização Pan-Americana da Saúde

Sociedade Brasileira de Diabetes

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia

Artigo “Repercussões do diabetes mellitus no feto: alterações obstétricas e malformações estruturais”, disponível em: http://docs.bvsalud.org/biblioref/2019/12/1046522/femina-2019-475-307-316.pdf

Imagens: Internet

Outubro/2020