Uma doença do fígado transmitida por via sexual?

A hepatite B é uma infecção no fígado causada pelo vírus da hepatite B. Pode apresentar-se de diversas formas, desde uma infecção aguda e sem sintomas, até uma infecção crônica que evolui para cirrose hepática ou câncer de fígado.

É considerada um problema de saúde pública mundial, veja abaixo o motivo:

 

Hepatite B em números

▪ Em 2015, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estimou 257 milhões de indivíduos vivendo com hepatite B crônica;

▪ Também em 2015, a hepatite B foi causa de 887 mil óbitos no mundo;

▪ A região Sul do Brasil é uma das que mais tem casos de hepatite B no país, sendo que o Paraná ocupa a 6ª colocação em taxa de detecção da doença (contabilizando os 26 Estados e o distrito federal, em 2018). Veja na imagem abaixo:

 

▪ A infecção ocorre, principalmente, na faixa etária de 20 a 60 anos, ou seja, em pessoas sexualmente ativas. Outras faixas etárias também são acometidas, porém em menor número.

 

Uma doença do fígado pode ser transmitida por via sexual?

Parece estranho, mas é verdade. O vírus da hepatite B, apesar de causar doença no fígado, pode ser transmitido nas relações sexuais, ou seja, a hepatite B faz parte das ditas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Aliás, a principal forma de transmissão dessa doença em nosso país é justamente a sexual.

O contato com sangue contaminado também pode transmitir o vírus, por isso é extremamente importante o cuidado em atividades como confecção de tatuagens, colocação de piercings, manicure, barbearia, dentre outras. Caso a higiene e a esterilização de materiais sejam inadequadas, a transmissão pode ocorrer. Importante lembrar que o instrumento ou o material a ser utilizado não precisa conter grandes quantidades de sangue contaminado para que a transmissão ocorra; quantidades microscópicas, isto é, não visíveis a olho nu, são suficientes para isso.

Há ainda o modo de transmissão dito vertical, que é quando a grávida transmite ao bebê durante a gestação ou, mais comumente, na hora do parto.

O compartilhamento de agulhas no uso de drogas injetáveis também facilita a transmissão, assim como transfusões sanguíneas em condições sanitárias inadequadas.

 

Sintomas

*Infecção aguda:

Se a infecção aguda se deu na infância, geralmente não ocorrem sintomas, porém a evolução para infecção crônica é a regra.

Já em adultos, uma parcela apresenta sintomas de: febre, perda de apetite, náuseas, vômitos, diarreia, dores musculares. Alguns podem ainda ter icterícia (cor amarelada na pele e na parte branca dos olhos), fezes esbranquiçadas e urina escura. Ao contrário das crianças, poucos são os adultos que evoluem para infecção crônica (cerca de 5 a 10%).

 

*Infecção crônica:

Quando o organismo não consegue “vencer” o vírus e a infecção perdura por mais de 6 meses, temos a chamada hepatite B crônica. Nessa fase, raros são os sintomas, a não ser que o paciente já esteja em estágios finais de doença hepática ou câncer. O problema da infecção crônica é justamente esse, após anos e anos de “luta” entre vírus e sistema imune nas células do fígado, o resultado pode sim ser cirrose ou câncer neste órgão.

 

Diagnóstico

O diagnóstico da hepatite B, tanto aguda, quanto crônica, se dá por meio de exames de sangue. Em casos de cirrose ou câncer, outros exames também são necessários.

 

Como se prevenir de uma infecção por hepatite B?

– Usar preservativo nas relações sexuais;

– Não compartilhar objetos de uso pessoal (lâminas de barbear/depilar, escova de dente, material de manicure);

– Vacina: é a principal medida de prevenção.

 

Tratamento

Na hepatite B aguda, os medicamentos utilizados combatem apenas os sintomas. Na hepatite B crônica, muitas vezes são necessários medicamentos que combatam também o vírus (antivirais), para impedir a evolução do quadro para cirrose hepática e câncer de fígado.

É recomendado que se evite a ingestão de bebidas alcoólicas durante o tratamento, pois o álcool é um importante causador de doença hepática (veja: Álcool, um vilão lícito  e  Por que a venda de bebidas alcoólicas é proibida para menores de 18 anos?).

 

Gestação e hepatite B

É imprescindível a realização de exames diagnósticos de hepatite B em todas as gestantes logo no primeiro trimestre de gestação. Em casos positivos para infecção, a mãe será acompanhada em serviço de pré-natal de referência e, a depender do caso, fará uso de medicação antiviral ou de vacina ou de imunoglobulina (anticorpo) para evitar a transmissão vertical. O recém nascido também deverá ser acompanhado para a realização das condutas necessárias ao caso.

Por que nos preocupamos tanto em evitar que o bebê “pegue” a infecção? Porque quanto mais jovem a pessoa é ao se infectar pelo vírus, maiores as chances de esse vírus não ser “derrotado” pelo sistema imune e permanecer no organismo, causando hepatite crônica e as já citadas potenciais complicações de cirrose hepática e câncer.

 

Vacina

A vacina da hepatite B é uma das várias previstas no calendário nacional de vacinação, ou seja, está disponível gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), tanto para crianças como para adultos. Caso você não tenha recebido as 3 doses preconizadas, procure a UBS (Unidade Básica de Saúde) mais próxima de sua casa e atualize a sua “carteirinha” de vacinação.

Todas as gestantes não vacinadas ou vacinadas em esquema incompleto podem e devem receber a vacina da hepatite B.

 

Veja também: Hepatites ViraisHepatite A, Hepatite C,  Já ouviu falar em cirrose hepática?

 

Autoria: Tayná

Fontes:

Ministério da Saúde

Organização Mundial da Saúde

Imagens: Internet

Setembro/2020