Uma epidemia de… obesidade

A obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública mundiais. Vem crescendo assustadoramente nos últimos anos e a tendência é de assim continuar. Atinge adultos, adolescentes, crianças e idosos.

No Brasil, segundo dados de 2019, 55% dos adultos apresentam sobrepeso e 20% obesidade.

Nos EUA, 70% da população está acima do peso, 36% apresenta obesidade e 6% obesidade grau 3.

 

Índice de massa corpórea (IMC) e diagnóstico de obesidade

O diagnóstico de obesidade dá-se pelo cálculo do índice de massa corpórea, o IMC:

IMC entre 30 e 35 = obesidade grau 1

IMC entre 35 e 40 = obesidade grau 2

IMC entre 40 e 50 = obesidade grau 3

IMC maior que 50 = superobesos

Para calcular o IMC, basta dividir o peso (em quilogramas) pelo quadrado da altura (em metros). Exemplo: uma pessoa de 1,60m de altura e peso de 80kg:

Quadrado da altura:   1,60 x 1,60 = 2,56

IMC:   80 ÷ 2,56 = 31,25

Dessa forma, nesse caso, temos um caso de obesidade grau 1.

 

E os “gordinhos” não obesos?

Pessoas com IMC entre 25 e 30 pertencem ao grupo denominado sobrepeso. Essas, embora, não tão acentuados quanto os obesos, também apresentam riscos maiores de doenças e de mortalidade do que os indivíduos com peso ideal.

 

Por que estamos cada vez mais gordos?

Em primeiro lugar, as opções de alimentos nos mercados estão cada vez mais calóricas. Bolachas, produtos pré-prontos congelados, pães, macarrões, derivados integrais de leite, refrigerantes, todos contribuem para uma ingestão excessiva de açúcares e de gordura. O consumo desses produtos industrializados vem constantemente suprimindo o de produtos in natura, o que facilita – e muito – o ganho de peso pela população.

A cidade de Curitiba, por exemplo, fica em terceiro lugar – dentre todas as capitais e o distrito federal – em número de homens que consomem refrigerantes 5 ou mais dias por semana.

Além do fator alimentação, estamos também cada vez mais sedentários, seja no trabalho, seja nas atividades de lazer (televisão, computador). Dados de 2019 mostram que 45% da população adulta brasileira não pratica atividade física o suficiente. Pior ainda, a frequência de adultos que não fazem nenhuma atividade física (nem durante o lazer, nem nos deslocamentos para trabalho/escola , nem durante atividade ocupacional) é de 14%.

A matemática é simples: se comemos mais calorias do que gastamos, o resultado é ganho de peso.

 

Obesidade é só questão de estética?

Não. Obesidade é uma doença que aumenta o risco cardiovascular e as chances de morte súbita. O excesso de gordura causa inflamação generalizada no corpo e isso facilita a instalação e manutenção de doenças potencialmente fatais, como: diabetes, hipertensão, dislipidemia (colesterol alto), infarto do coração e “derrame cerebral”. Em outras palavras, a obesidade mata! O indivíduo obeso vive vários anos a menos do que o não obeso.

75% das pessoas que têm diabetes e hipertensão, por exemplo, apresentam excesso de peso. A boa notícia é que o simples fato de perder peso melhora essas duas condições.

A obesidade agrava também doenças como apneia do sono, asma, doença do refluxo gastroesofágico, esteatose hepática (“gordura no fígado”), gota (Veneno nas articulações?), artrose de joelhos e quadril, pedra no rim, pedra na vesícula (Você tem “pedra na vesícula”?), depressão, ansiedade, dentre outras.

Importante salientar que a mudança estética gerada pelo emagrecimento tem sim um significativo papel no fortalecimento da autoestima do indivíduo, o que melhora acentuadamente sua qualidade de vida.

 

Obesidade e câncer

Você sabia que a obesidade, além de estar envolvida em todas as doenças supracitadas, também aumenta a chance de desenvolver câncer? Principalmente de próstata, mama, endométrio (uma parte do útero), ovário, colo de útero, estômago, intestino grosso, rins e vesícula biliar.

Veja mais em: Por que se fala tanto em câncer de mama?, O segundo câncer mais comum em homens e em mulheres e O que um médico grego, um vírus e um câncer têm em comum?

 

Existe “pílula mágica” para perda de peso?

Não. Já se testaram várias fórmulas para emagrecimento e grande parte delas foi descartada por apresentar efeitos colaterais graves e perigosos, como arritmias cardíacas e infarto. Existem algumas medicações disponíveis para casos específicos, assim como existe a cirurgia bariátrica, também com seus critérios específicos. Para tratamento correto e adequado da obesidade, procure um médico endocrinologista.

 

Dicas de alimentação saudável e de exercício físico

♦ Procure fazer as refeições à mesa, evitando distrações como televisão e celular;

♦ Coma prestando atenção no ato de comer, mastigue bem, coma devagar, evite bebidas durante a alimentação;

♦ Faça suas refeições no mesmo horário, se possível;

♦ Não vá ao supermercado quando estiver com fome, pois acabará escolhendo alimentos em maior quantidade e/ou muito gordurosos e pouco nutritivos;

♦ Coma o máximo de alimentos in natura e o mínimo de industrializados;

Alimentos in natura são os que pouco sofrem influência humana, como frutas, verduras, legumes, peixes, carnes e ovos.

 

♦ Evite (ao máximo) alimentos ultraprocessados como congelados, bolachas, chocolates, molhos e temperos prontos, macarrões instantâneos, refrigerantes e sorvete.

♦ Leia a embalagem dos alimentos antes de comprá-los. Geralmente quando um produto apresenta muitos ingredientes em sua composição ou quando apresenta vários nomes pouco familiares (emulsificantes, corantes), isso significa que são alimentos bastante manipulados pelo homem e, portanto, tendem a ter mais sal, açúcar e gordura do que os in natura.

♦ Não se submeta a dietas muito restritivas ou a jejum por tempo muito prolongado, pois a tendência é recuperar o peso assim que a dieta é cessada;

♦ Mexa-se! Exercício físico aeróbico é essencial para perder peso e para manter-se no peso adequado. Faça caminhada, corrida, ande de bicicleta, faça natação ou frequente a academia por pelo menos 150 minutos por semana. O exercício melhora dores no corpo, melhora a qualidade do sono, aumenta a disposição, melhora o humor, fortalece a musculatura corporal, melhora as funções cardíaca e respiratória… Chame um amigo para exercitar-se com você, especialmente se você não for muito fã de atividades físicas, um colega incentivando o outro faz bastante diferença na criação do hábito de exercitar-se.

 

Cirurgia bariátrica

O tipo de cirurgia bariátrica mais utilizado hoje em dia faz o indivíduo perder peso por meio de dois mecanismos. O primeiro ocorre porque o estômago é reduzido de tamanho, o que faz que a pessoa não consiga comer em excesso após a cirurgia; o segundo é devido à alteração que se faz no trânsito intestinal, que resulta em uma menor porção de intestino para fazer a absorção dos alimentos, ou seja, menos comida é absorvida, menos gordura é armazenada. Existem indicações específicas para a cirurgia bariátrica, nem todos os obesos estão aptos a se submeterem a ela. (Veja detalhes aqui)

 

Acompanhamento multiprofissional

A obesidade é frequentemente acompanhada por questões como ansiedade, compulsão alimentar, baixa autoestima, medo, raiva, culpa, tristeza, depressão. Essas questões precisam ser tratadas, caso contrário o obeso, mesmo após o tratamento medicamentoso ou cirúrgico, volta a engordar e a ter os mesmos riscos que apresentava antes do tratamento.

Se você procura tratamento para obesidade, saiba que, infelizmente, não há remédio mágico que promova perda de grandes quantidades de peso em pouquíssimo tempo. Para um acompanhamento adequado do paciente obeso, uma equipe multiprofissional se faz necessária, com educador físico, nutricionista, psicólogo, psiquiatra, cirurgião, endocrinologista…. Serão necessários vários meses (ou anos) de tratamento, muitas consultas, muita disciplina, reeducação alimentar e dieta, atividade física permanente. Por fim, e felizmente, sabe-se que indivíduos que emagrecem e que se mantêm no peso adequado nos primeiros 2 anos, vêem reduzidas suas chances de reganho de peso nos anos subsequentes.

 

Autoria: Tayná

Fonte:

Ministério da Saúde

Imagens: Internet

Agosto/2020