Você teria coragem de tomar uma “sopa de bactérias”?

Na década de 1980, dois médicos australianos, Barry Marshall e John Warren, tentavam provar para o mundo que uma determinada bactéria poderia causar úlceras e câncer de estômago. Como os cientistas da época permaneciam céticos, Marshall preparou e ingeriu uma “sopa” dessa bactéria para provar sua teoria. O que aconteceu? Cerca de 10 dias depois de o pesquisador ingerir o tal “caldo”, seu exame de endoscopia evidenciou lesões agudas no estômago. Marshall e Warren estavam certos! E mais: ganharam um prêmio Nobel por essa descoberta!!

 

De que bactéria estamos falando?

Difícil acreditar que algum microorganismo consiga viver em um ambiente como o estômago humano, cheio de ácido clorídrico e com pH extremamente baixo, não? Porém, existe uma bactéria adaptada a essas condições e ela se chama Helicobacter pylori (ou simplesmente H. pylori).

O H. pylori produz substâncias que deixam o pH estomacal mais alcalino, conseguindo, dessa forma, permanecer em um órgão em que a maioria dos outros microorganismos seria destruída.

Nem todas as cepas (tipos) de H. pylori causam úlceras, logo, é possível que um indivíduo tenha essa bactéria em seu estômago e não apresente doença ou sintoma algum. Além disso, nem toda úlcera péptica é causada pelo H. pylori, mas na maioria dos casos (acima de 80%) ele está sim envolvido.

 

O que é uma úlcera péptica?

É uma ferida, uma lesão na mucosa do estômago (ou do duodeno – uma parte do intestino), que pode perfurar e sangrar se não tratada.

 

Quais são os fatores de risco para o desenvolvimento de úlceras?

– Infecção gástrica pelo H. pylori

– Idade acima de 60 anos

– Pessoas que já tiveram úlcera no passado

– Uso crônico de alguns medicamentos, como AAS e antiinflamatórios

– Tabagismo

– Etilismo

 

Quais os sintomas da úlcera péptica?

Em muitas pessoas, não há sintoma algum.

Outros indivíduos apresentam: dor abdominal (queimação), que piora durante a noite, que pode ser aliviada ou precipitada pela ingestão de alimentos (a depender da localização da úlcera – estômago ou duodeno), náuseas e vômitos, sensação de “empachamento”.

 

Como é feito o diagnóstico da úlcera?

A úlcera é visível no exame de endoscopia. Durante o exame também é possível realizar um teste rápido para saber se o indivíduo está infectado pelo H. pylori.

 

Como tratar a úlcera?

Importante que o paciente cesse etilismo e tabagismo e que, se possível, evite os medicamentos que facilitam o processo de formação da úlcera (ver fatores de risco).

Algumas décadas atrás, não havia remédio que tratasse úlcera péptica, então os pacientes eram submetidos a cirurgias para a retirada da mesma. Hoje em dia, existem medicamentos bastante eficientes para isso e, somente em último caso, as cirurgias são realizadas.

Importante lembrar que, juntamente com o tratamento da úlcera, é necessário tratar a infecção pelo H. pylori, que se dá com uso de antibióticos e outras medicações.

 

Quais as complicações que a úlcera pode gerar?

– Sangramento: é a principal complicação. O tratamento pode ser feito durante o exame de endoscopia ou de forma cirúrgica.

 – Perfuração: causa dor aguda e intensa no paciente. O tratamento é cirúrgico.

– Obstrução no trato gastrointestinal: de ocorrência rara.

 

 

Autoria: Tayná

Fontes:

Ministério da Saúde

Nobelprize.org

Imagens: Internet

Maio/2020